“Se o nosso País é constitucionalmente laico, por que o domingo é sagrado e há tantos feriados católicos?” Este é um dos questionamentos da coluna Focvs do Trabalho desta quinzena. Sem entrar no mérito dos credos e religiões, mas na formação profissional do trabalhador e na busca de um modelo realmente produtivo para o Brasil, o consultor de relações trabalhistas, Ramon Esteves, afirma que há uma contradição do que diz a lei para a realidade do trabalho na sociedade tupiniquim.
Pessoas buscam emprego, colocação, estabilidade, segurança, crescimento profissional. O mercado oferece postos de trabalho. Há um intervalo entre as pretensões e um distanciamento de interesses. Aliar os dois pontos é mais que um exercício de semântica. Historicamente, o trabalho era relegado aos pertencentes a classes inferiores socialmente, aos servos, aos escravos. Aos nobres, aos ricos e aos clérigos, cabia o estudo, a liderança, o governo. No Brasil, logo após a abolição da escravatura, os filhos das melhores famílias buscavam colocações no serviço público; o trabalho era para os despreparados.
É hora de repensar. Não há como vencer sem demonstrar capacidade de trabalho, talento e dedicação. O sucesso é fruto do esforço. Todos têm o direito de vencer, desde que busquem a vitória, de forma constante e crescente. Direitos garantidos por lei, fazem com que a seleção de candidatos se torne mais criteriosa e a oferta de vagas mais parcimoniosa. Cada vez mais, o mercado exige do profissional a capacidade de saber administrar seu posto de trabalho como um negócio próprio. Que deve dar resultado.
É hora de rever paradigmas. Falta alguma coerência na nossa lei. Se o Brasil é um país laico, porque o domingo é sagrado e há tantos feriados católicos? Se é preciso crescer, porque se busca trabalhar menos? Horas de trabalho aumentam a capacidade de fabricação e comercialização de produtos, como também a contratação de pessoas e reduzem a necessidade de verbas para programas sociais. Se todos são iguais perante a lei, porque o direito à aposentadoria e outros direitos sociais são diferentes entre gêneros e entre empregados da iniciativa privada e serviço público?
É hora de mudar. De aprender a mudar e ter coragem de propor a mudança, sabendo que há um desconforto nela.
A Focvs completou 15 anos. Mudando todos os dias. Graças ao apoio recebido, à confiança dos parceiros, amigos, clientes e fornecedores e, principalmente, à equipe que aceita os desafios.